Arquivo para Junho 2009

Montreal Film Festival  The Montreal World Film Festival foi criado em 1977, na cidade de Montreal, em Quebec, Canada. É o mais antigo festival de cinema do país e o único festival em      competição da América do Norte acreditado pela FIAPF (Fédération Internationale des Associations de Producteurs de Films, em  inglês: International Federation of Film Producers Associations). 

 Este ano uma das categorias do festival que vai premiar o melhor filme da América Latina chama-se Glauber Rocha Award, em homenagem ao grande e polêmico  cineasta brasileiro ( “Deus e o Diabo na Terra do sol”, 1963 – indicado Palma de Ouro Festival de Cannes; “Terra em transe”, 1967 – indicado a Palma de Ouro no  Festival de Cannes; “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, 1968 – indicado Palma de Ouro e prêmio melhor diretor no Festival de Cannes.)

 Há uma categoria permanente dentro do Festival chamada Focus on World Cinema (Americas, Europe, Asia, Africa, Oceania) . Ano passado (2008), dos 192  filmes selecionados para esta secção, entre curtas e longas metragens, somente um era português (“Call Girl” – 2007, realização de António Pedro Vasconcelos). E  não houve nenhum outro filme português em nenhuma das outras oito categorias do Festival.

 Este ano (2009), o primeiro filme da realizadora portuguesa Ana Campina, As Maltratadas, foi seleccionado, com total mérito, para a categoria sobre a qual escrevi no parágrafo anterior.

Um filme produzido sem nenhum tipo de incentivo por parte das instituições portuguesas, sejam elas públicas ou privadas, um filme 100% produção independente, com uma equipa técnica formada por brilhantes profissionais portugueses, brasileiros e norte-americanos, alguns veteranos no mundo cinema, outros ainda a conhecer e desvendar as primeiras manobras da indústria, mas todos focados em fazer um trabalho de excelência, dando o melhor que cada um deles poderia oferecer para parir um filme de extrema qualidade e rigores técnico e narrativo.

E este é somente o primeiro de muitos outros festivais que o filme As Maltratadas irá participar e concorrer. 

E ainda há a outra versão, The Abused, ou seja, estamos apenas começando!!!

Gostava de aproveitar a ocasião para homenagear uma grande amiga e excelente atriz, Petra Guerreiro, que atuou nas duas versões do filme com a personagem Jéssica. 

Essa conquista, Petra, é a prova de que podemos superar obstáculos que por vezes parecem intransponíveis, mas que com paciência, coragem, luta, esperança e perseverança é possível ultrapassá-los 

Parabéns a todos, e aqui faço questão de apontar vossos nomes, um por um, porque cada um de vocês assumiu um papel importantíssimo nesta trajetória:

Produced by  ANA CAMPINA

                        ENZO LAMBLET

 Edited by  ANA CAMPINA

                    MIGUEL MARIANO

                    MARIA CAPELL

Director of Photography ERICK GREEN

First Assistant Director     SÉRGIO ARAÚJO

Production Designer        SANDRA CATARINO

Production Designer Assistant SOFIA GUERREIRO

Sound Director                JOSÉ HENRIQUES

Sound Designer              JOSÉ HENRIQUES

                                        ANTÓNIO CASAS NOVAS

Music Supervisor            JOSÉ HENRIQUES

Sound                              ÁLVARO DE SOUSA

                                        ANDRÉ POMBO

                                        JOÃO ALMEIDA

                                        MIGUEL OLIVEIRA

Sound Assistants      ALFREDO VENTURA

                                        HUGO FERNANDES

Casting                        ANA CAMPINA 

Casting Assistants     DANIEL BICHINHO 

                                        SÉRGIO ARAÚJO

                                        CATARINA VIDIGAL

First Assistant Camera    JOEL DEUTSCH 

2 nd  Assistant Camera   JOÃO SANTOS

Production Manager        VITOR FERNANDES

Production Manager        MARIA MIGUEL

Assistant                          ANA CONTENTE

                                            HUGO ALHO

                                            CATARINA VIDIGAL

                                           SÉRGIO ARAÚJO

Makeup Designer 

and Special Effects     DENISE PRATA

                                        JOANA SILVA

Key Hairstylist                 MARIA NETO

Chief Lighting Technician        JOSÉ CAMPINA

Lighting                       BÁRBARA HORA 

                                       BRUNO COSTA

                                        TIAGO SANTANA

Grip                               NUNO ROCHA

                                        RICARDO FERREIRA


Continuity                   CARLOS LOPES


Special Effects            ANA CAMPINA

                                        LUIS PAULO

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Cena Filme "Se nada mais der certo"

Cena Filme "Se nada mais der certo"

O filme “Se nada mais der certo”, do diretor José Eduardo Belmonte, demonstra a grande capacidade do cinema brasileiro em reinventar-se e superar as dificuldades econômicas enfrentadas pela indústria cinematográfica brasileira.

Encontrei pessoalmente com o ator Cauã Reymond no Festival de Cannes e tive a oportunidade em parabenizá-lo pelo prêmio de melhor ator que ele faturou no  2º Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), pelo personagem Léo.

Léo, jornalista desiludido, é o retrato do jovem brasileiro que perdeu o status de classe média e enfenta a dificuldade em encontrar trabalho e sustentar-se, e acaba por entrar no mundo da contravenção pela influência de um jovem meio andrógino, Marcin, personagem de Caroline Abras.

O filme fala de esperanças, desespero, vícios, solidão, abandono, amizade, saudade, crime e falhas profundas do sistema brasileiro.

Foge um pouco daquela temática viciosa por onde o cinema brasileiro vem desfilando nos últimos anos, com filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite, e talvez por isso (haverá também outras razões, obviamente) não chegou ao circuito de cinemas europeus, pelo menos em Portugal ainda não o vi nos cinemas.

Achei-o um pouco longo, poderia terminar antes. Há momentos em que a sequência de cenas fica um pouco inexplicada, como a cena em que Léo está conversando, durante o dia, com Diogo (Eucir de Souza), seu chefe jornalista e está chovendo e de repente, no meio de uma frase, anoitece e ele está com Angelina (personagem de Luíza Mariani), que acaba por discutir com as companheiras de trabalho de Léo no meio da rua.

Muito bem dirigido, com planos bem  interessantes, o filme ganha força e embalo depois que Marcin apresenta Léo a Antenor (Antônio Petrin), um veterano no mundo da contravenção.

A sucessão de planos muito bem utilizada pela edição em que Léo implora pela carteira de identidade de Angelina a Sibele (Milhem Cortaz), Marcin é banida de sua área de atuação por Abílio (Murilo Grossi) – e o foco preciso e muito bem aplicado em Marcin no espelho lá no background – , e Angelina aproxima-se pouco a pouco da beirada de uma janela.

Se nada mais der certo. Mais um filme brasileiro de excelente qualidade e que merecia uma oportunidade em ser distribuido pelos cinemas da Europa.

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Cena As Maltratadas

Cena As Maltratadas

Acabo de assistir a uma reportagem no Fantástico sobre mães que vendem seus filhos para o mercado sexual. Semana passada assisti a um programa na SIC, se não me engano, a respeito da violência doméstica contra mulher, que ano passado (2008) causou a morte de 40 mulheres somente em Portugal. E também o caso da menina russa de seis anos que foi abandonada pela mãe biológica e “adoptada” por um casal portugues, que agora luta contra a repatriação da menina por ordem da mãe, que quer a filha de volta. O pai adoptivo teme que a mãe biológica venda a menina como o pai já havia tentado anteriormente.

Tudo isso só vem a sustentar e reforçar o filme As Maltratadas, da realizadora portuguesa Ana Campina, do qual tive o privilégio de participar como assistente de realização.

Cena As Maltratadas

Cena As Maltratadas

As Maltratadas, escrito, produzido e realizado por essa jovem promessa do cinema portugues e mundial, foi gravado em dezembro de 2008 em Lisboa. Foram gravadas duas versões, uma em portugues e outra em inglês. Atuaram no fillme os atores brasileiros Felipe Camargo (no papel de Paulo) , Douglas Barcellos (no papel de João) e Camila Alves (na personagem de Flávia); as portuguesas Alexandra Freudenthal (no papel de Laura, versão portuguesa), Leslie Reis (a Marta na versão portuguesa), Matilde Antunes ( a Marta na versão inglesa), Lucilia Raymundo (personagem de Linda) e Petra  Soraya (no papel de Jéssica), e a norte-america Shelby Lee ( a Laura da versão inglesa).

O filme tem como tema duas histórias que acontecem em paralelo: o tráfico internacional de mulheres e a violência doméstica contra a mulher.

Laura, que  há anos sofre com a violência física e psicológica de seu marido Paulo, um homem de posses, bem apessoado, acima de qualquer suspeita, e que se aproveita dessa posição dentro da sociedade para, além de violentar a mulher, exercer atividades relacionadas ao tráfico internacional de mulheres para o sexo.

Cena As Maltratadas

Cena As Maltratadas

Flávia, modelo brasileira que sonha em decolar no mundo da moda internacional, viaja para Portugal em busca dessa ilusão e acaba nas mãos de João, comparsa de Paulo.

Marta, filha de Laura e Paulo, descobre uma das faces obscuras de seu pai e decide contar a sua mãe a cena que presenciou.

Laura resolve, então, quebrar o silêncio que vinha sufocando-a e dilacerando sua vida e sua existência.

Um drama real, um tema cada vez mais recorrente, apesar de alguns julgarem-no banalizado.

O cinema é entretenimento, mas também é realidade, e tem o dever de relatar a história com fidelidade. O filme de Ana Campina consegue entreter, com cenas esteticamente belas na forma e no estilo da realizadora em contar a história através de cenas bastante recortadas (média de 3 a 4 planos por cena, in a short film isso é muito dinámico) e uma fotografia que brinca e oscila  inteligentemente entre cores e o escuro, o negro, o cinzento; e consegue chocar, com cenas fortes, psicologicamente violentas.

Cena The Abused

Cena The Abused

As Maltratadas contou com equipe técnica composta por profissionais de Hollywood (Los Angeles), de Portugal e do Brasil.

Todos se juntaram com muita força e vontade nesse projeto e o resultado poderá ser visto muito em breve nos cinemas e nas televisões portuguesas, e também em festivais de cinema em Portugal e outros países da Europa, Canada, Estados Unidos e Brasil.

Parabéns a todos, atores, crew, pessoal da produção. Parabéns pelo trabalho efetivo, pela disposição e garra,  pela dedicação, pela vontade em fazer cinema, com o qual estou cada vez mais envolvido e apaixonado.

 

E um especial parabéns a você,  Douglas Barcellos, pelo excelente trabalho em seu personagem João.

Nós vamos levar esse filme até o topo do mundo, lugar com o qual você sempre sonhou.

Vamos fazer cinema!!!

www.asmaltratadas.com

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