Há no Brasil uma figura folclórica e tradicional que faz parte do inconsciente coletivo daquele país: o palhaço da perna de pau. Talvez tenha sido levada pelos portugueses, entretanto é necessária pesquisa mais aprofundada sobre o tema.

O Cinema português assume a figura do palhaço da perna de pau.  Julga-se acima dos demais. Quando caminha com largas passadas torna-se desengonçado e trapalhão e coloca em risco as suas frágeis pernas de madeira, que a qualquer momento podem romper-se e atirar o palhaço com toda a força ao solo; quando dá passos curtos tropeça nas próprias pernas, perde o equilíbrio e cai.

Ao analisarmos a atual conjuntura da sétima arte em Portugal é fácil concluir o sub-aproveitamento da indústria nacional. As consequências imediatas disso são a pequena representação dos filmes portugueses em festivais internacionais, o baixo número de filmes nacionais distribuídos nas salas de cinema de todo o país e por conseguinte uma pequeníssima parcela dos portugueses a assistirem a filmes produzidos por seus compatriotas. A longo prazo as consequências são ainda mais devastadoras:  mina-se a qualidade técnica e intelectual do cinema português (que vem a avançar substancialmente nos últimos anos), minimiza-se o valor da indústria cinematográfica como business, afastando investimentos privados nacionais e internacionais e levando as co-produtoras internacionais a pensar dez vezes antes de formar parcerias com as produtoras portuguesas.

Grande parcela de culpa converge-se para alguns poucos produtores e agencias governamentais que assumem como missão “Fomentar e desenvolver as actividades cinematográficas e audiovisuais, contribuindo para a diversidade cultural e a qualidade nestes domínios, para uma circulação nacional e internacional alargada das obras e para a vitalidade das referidas actividades enquanto indústria cultural”.

Forma-se um círculo restrito e de difícil penetração. A  máfia do cinema português, amedrontada e acuada, impede a expansão das fronteiras do cinema nacional ao tentar bloquear a participação das milhares de produtoras (empresas) e produtores (pessoas) independentes e com grande potencial criativo e produtivo.

O Cinema, seja ele arte ou comercial, deve ser encarado como parte integrante da cultura de um país, assim como a pintura, o teatro, os regionalismos folclóricos, a música, a culinária, a linguagem, e como tal deve ter livre acesso na construção de uma memória coletiva de um povo e sua nação.

Caso não se consiga romper o MCP (Monopólio do Cinema Português), e levando-se em consideração a enormidade de pessoas que querem fazer cinema em Portugal, eis aqui uma sugestão: unam-se, organizem-se, escrevam um argumento, formem uma equipa, e mãos a obra, vão fazer cinema, assim como vem se fazendo na India, no Egito, na Koréia, na Angola e em outros países do continente africano, no Brasil, na Colombia e em vários outros países denominados como “terceiro mundo” ou “sub-desenvolvidos” ou ainda “em desenvolvimento”.

Caso contrário, o cinema portugues vai continuar a caminhar com longas e frágeis pernas de pau.

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Uma Resposta a “O Cinema português caminha com pernas de pau.”
  1. André Porto diz:

    Boas.. Olha gostei muito do post e concordo contigo, o cinema português é muito frágil. Temos de nos unir para dar força ao mesmo.

  2.  
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